Simone Weil e a Personalidade Humana

Quatro pontos interessantes, desafiantes e polémicos do pensamento da intelectual Simone Weil, que acompanharam toda a história do seu pensamento mas que se substanciam muito fortemente num ensaio tardio da sua produção, “Human Personality”, escrito em 1943.

No final deste ano de 2023, e já pensar numa entrada no próximo de modo bem informado, com os pés assentes na terra, com as faculdades críticas em alerta, recordamos hoje quatro pontos interessantes, desafiantes e polémicos do pensamento da intelectual Simone Weil, que acompanharam toda a história do seu pensamento mas que se substanciam muito fortemente num ensaio tardio da sua produção, “La Personne et le Sacré”, conhecido em inglês como “Human Personality”, escrito em 1943.

O primeiro, um argumento contra os partidos políticos e a favor da democracia sem os mesmos, alicerçado na ideia, desconfiada tanto dos totalitarismos do século XX como da ética e mundivisão liberal, de que não existe liberdade enquanto concepção colectiva.

Em segundo lugar, a ideia de que o homem moderno é dominado por uma ética do culto da pessoa e da personalidade, e que não só as ideologias políticas especificamente são reflexo disso, como também as ideologias de raiz empírica, p.ex. aquilo a que hoje chamamos “a ciência“: para Weil, um cientista não é um homem comprometido em busca da verdade, mas sim, tal como o político ou o homem religioso, em busca da sua verdade.

Terceiro, a concepção mental do homem moderno baseada em alicerçar a sua existência e a sua definição na personalidade envolve vários riscos; nomeadamente, através da forma imperfeita que no caso nos levaria a supor que o todo não é exatamente idêntica à soma das partes, Weil lembra como uma identidade humana que é composta pela montagem de vários elementos — aspecto da personalidade, aspetos físicos, biografia, até mesmo direitos cívicos etc — também está sujeita a ser desmontada exatamente pela mesma ordem.

Por último, a visão religiosa e mística da autora leva-nos ao último ponto, que reforça como não são os direitos cívicos como construção colectiva e colectivista que são garantes credíveis da pessoa, mas sim a piedade e a caridade que existem na concepção do outro, ultrapassando o problema do cepticismo quanto às outras mentees ou outras pessoas e que, em última análise, é uma medida de fé. 

É com estes pontos que vos deixamos. São pontos contra-totalitários, cépticos, plurais, diversos, na boa tradição da filosofia de tradição universal — e universalista — de uma costela ligeiramente misticista das tradições respectivas do ocidente — afinal, o mesmo não é somente “anailtico” — e que desejamos que estejam, estes ou outros da mesma categoria, no pensamento de todos na entrada no novo ano e ao longo do mesmo. Felizes festas, boas entradas e felicidades para todos.

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