Como é que um simples jogo pode mover tantas paixões? Em 1971, quando o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassky, grande parte do mundo parou para assistir à partida. Actualmente existem clubes, federações, e campeonatos mundiais de xadrez. Aqui para nós, não se joga xadrez sem relógio, e já que usamos um relógio de xadrez, que seja, ao menos, um Heuer Chess Master! Fique a conhecer melhor este desporto, a evolução dos seus relógios e até algumas sugestões de filmes.

HEUER Chess Master
Heuer Chess Master

A BREVE HISTÓRIA DA ORIGEM DO XADREZ

A história do xadrez tem uma origem controversa: contudo, é possível afirmar que o jogo foi inventado na Ásia. Actualmente, a versão amplamente difundida é a de que teria surgido na Índia com o nome de Chaturanga e dali se difundiu para a China, Rússia, Pérsia e Europa, onde se estabeleceram as regras atuais. Pesquisas recentes indicam também uma possível origem na China do século III a.C., na região entre o Uzbequistão e a Pérsia antiga (atual Irão).

Albert Frans Lieven de Vriendt 1843-1900 , «A sua jogada»
Albert Frans Lieven de Vriendt 1843-1900 , «A sua jogada»

O quadro do pintor belga Albert Frans, do Séc. XIX, mostra um casal a jogar xadrez com um ar entediado. Por esta altura ainda não existam relógios de xadrez e as partidas eram muito longas

A ORIGEM DOS RELÓGIOS DE XADREZ

Durante muitos anos não foram utilizados relógios de xadrez. Em torneios oficiais, alguns jogadores chegavam a demorar 1h para fazer uma jogada apenas, e os jogos decorriam durante 8h a 9h, existindo até registo de jogos com 14:30h de duração. Uma alternativa encontrada em 1860, em Londres, foi a ampulheta, um instrumento bastante prático para esta função. Sempre que se iniciava uma jogada, um jogador deitava a sua ampulheta e o outro erguia-a. Porém as condições de humidade afectavam bastante o desempenho das ampulhetas, e por essa razão passaram a usar-se relógios mecânicos de xadrez, mais fiáveis e precisos.

Em 1883, Thomas Bright Wilson e Joseph Henry Blackburne inventaram o relógio de xadrez mecânico, que foi usado pela primeira vez num torneio em Londres. Foi um grande passo na direção certa para manter com precisão a duração do jogo sob um limite de tempo; no entanto, ainda havia desvantagens, incluindo a dificuldade de combinar os dois relógios com precisão e o facto de que o tempo adicional não poderia ser facilmente adicionado para um controlo mais complexo.

Relógio de xadrez de oscilante
Foto de by Fred Wilson de 1893 com Harry Pillsbury  e o seu oponente
Foto de Fred Wilson de 1893 com Harry Pillsbury e o seu oponente, com um relógio de xadrez oscilante

Em 1973, foi inventado primeiro relógio de xadrez digital, por Bruce Cheney, um estudante da Universidade de Cornell. O relógio digital permitia um controlo de tempo mais sofisticado do que o relógio analógico, mas, como qualquer protótipo, tinha alguns problemas. Em 1975, Joseph Mashi e Jeffrey Ponsor criaram o primeiro relógio digital disponível comercialmente, chamado Micromate-80. Três anos depois, em 1978, foi produzido um relógio melhorado, o Micromate-180.

O relógio digital era mais preciso do que os analógicos, e também poderia ser programado, adicionando criatividade à forma como os jogos poderiam ser cronometrados. Enquanto as ampulhetas reduziram os tempos para algumas horas, os relógios digitais significavam que os jogadores agora podiam jogar um jogo em alguns minutos – necessário para as rápidas do xadrez.

Em 1988, o campeão mundial de xadrez Bobby Fischer patenteou uma adição ao relógio de xadrez digital. Segundo a sua ideia, cada jogador passou a ter um período de tempo fixo no início do jogo e, uma pequena quantidade de tempo após cada movimento, tudo para que os jogadores não ficassem com pouco tempo se precisassem mais tarde. Este método de tempo é frequentemente referido como “incremento”. Simplificando, incremento significa que quando chega a vez de um jogador mover uma peça, o atraso (ou incremento) é adicionado ao tempo restante desse jogador. Se o atraso for de cinco segundos, e o jogador tiver dez minutos restantes, quando o seu relógio for activado, terá apenas dez minutos e cinco segundos restantes. A adaptação de Fischer ao relógio significava que um jogador poderia jogar finais com mais tempo para pensar.

Relógio de xadrez de Bobby Ficher de 1988
Relógio de xadrez de Bobby Ficher de 1988

FUNCIONAMENTO DOS RELÓGIOS DE XADREZ

Os relógios de xadrez funcionam com o princípio das ampulhetas. Os mecânicos, como os de quartzo, têm na mesma caixa dois relógios, um para cada jogador. Para jogar com um relógio de xadrez mecânico deve seguir-se o seguinte procedimento:

  1. no início da partida acertam-se ambos os relógios;
  2. colocam-se os ponteiros dos minutos em igual posição, por exemplo ambos ao minuto 55;
  3. entre os 55 e os 60 minutos o ponteiro dos minutos empurra a bandeira* para cima, cada vez mais, até a deixar cair;
  4. perde o jogador que sofra xeque-mate ou que veja a sua bandeira cair;
  5. para parar o relógio, basta colocar os dois botões à mesma altura.

* A bandeira é um ponteiro de plástico, normalmente vermelho, que está simplesmente encaixado num pequeno veio, sem ligação ao mecanismo.

Pormenor de uma bandeira de um relógio de Xadrez
Pormenor de uma bandeira de um relógio de Xadrez

O NOSSO PREFERIDO – HEUER CHESS MASTER

Apesar dos relógios de xadrez oscilantes nos parecerem muito interessantes, rendemo-nos ao Heuer Chess Master.

Lançado pela primeira vez nas décadas de 1960 e 70, a Heuer lançou o seu próprio relógio de xadrez, o Chess Master. Este relógio com design muito marcado pela época foi apresentado em duas versões, uma com caixa de alumínio escuro e outra com caixa de madeira lindamente trabalhada. Actualmente é um dos relógios de xadrez vintage mais colecionáveis. O lindíssimo Chess Master apresenta um movimento analógico de alta qualidade que, com boa manutenção, após 50 anos, ainda pode ser bastante fiável.

A frase que se impõe é: «Nem todos os relógios de xadrez analógicos são bonitos, mas todos os belos relógios de xadrez são analógicos».

O atual renascimento do jogo entre os mais jovens e o impacto da recente série de TV, «O gambito da dama», na qual o Chess Master da Heuer é protagonista, trouxeram um certo glamour de volta ao mundo do xadrez. De acordo com o New York Times, após o lançamento desta série, as vendas de relógios de xadrez aumentaram repentinamente.

XADREZ NO CINEMA

Existem imensos filmes e séries de televisão sobre xadrez: deixamos aqui algumas recomendações:

1 – Searching for Bobby Fischer – filme

2 – Magnus – documentário

3 – Brooklyn Castle – documentário – filme

4 – Queen of Katwe – filme

5 – Bobby Fischer Against the World – filme

6 – The Luzhin Defense – filme

7 – Pawn Sacrifice – film

COMO COMEÇAR A JOGAR XADREZ?

Gostava de aprender xadrez ou mesmo de jogar numa equipa? Comece por encontrar o seu relógio de xadrez favorito e, de seguida, entre em contacto com a Federação Portuguesa de Xadrez, para mais informações sobre mestres e equipas disponíveis.